Fernando Ribeiro | Um Pop Paulistano

Texto crítico : Emanoel Araújo

Diretor Curador do Museu Afro Brasil

 

Fernando é um pintor surpreendente, suas obras sempre discutem com um certo tom de ironia as grandes obras icônicas  da arte internacional.

Ele deve ver algum prazer nesse tipo de procura em decodificar essas obras até porque há ali um mistério desses trabalhos incorporados no universo popular ou ainda no inconsciente coletivo.

Obras como a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, As Meninas de Velasquez, La Maja Desnuda de Goya, a Guernica de Picasso ou  L’Herbe de Manet, são obras sempre visadas por artistas de todo o mundo para suas releituras.

De certa maneira, o movimento Pop dos anos sessenta e da origem da Pop Art nos Estados Unidos, tornou quase uma obrigação essas leituras acrescidas de rótulos de produtos industriais, como linguagem gráfica, numa severa crítica do Way of Life norte americano, dos usos desses enlatados ­- disso se valeu o mais Pop de todos os artistas: Andy Warhol - que de fato popularizou também astros e estrelas do cinema e personalidades da política: Marilyn Monroe, John Kennedy e Mao Tsé-Tung entre outros da grande iconografia usado pelo mágico Warhol.

Portanto, os significados dessas Obras e desses artistas muito contribuíram para o enriquecimento visual do qual a arte contemporânea se vale para novos e novíssimos discursos.

Assim, esses novos trabalhos de Fernando Ribeiro que compõem a exposição Louça Fina são também uma nova tentativa de uso desses ícones, numa aliança para perturbar mais ainda a ordem dos sentidos e da percepção artística, com seus Mickeys, suas Marilyns e As Meninas de Velasquez transformadas em personagens muito conhecidas por nós em O Sítio do Pica-Pau Amarelo entre outras e muitas outras ironias do artista.

Afinal, a pintura é para comer.