Renato Sant'Ana |Todas as cores do mundo e algumas que não posso contar

Meus experimentos nasceram da observação do gotejamento de tinta acrílica nos pincéis sobre bandejas de pintura. No começo havia o caos com algumas formas aleatórias sugerindo padrões fractais sem muito controle ou definição formal. A ideia de aproveitar as estruturas que emergiam dali e direcioná-las na execução de algo que me desse maior controle da situação foi a origem de uma série de experimentos.

O método empregado por mim foi: em uma superfície lisa e polida é injetada (por meio de uma seringa desenvolvida para esse fim) tinta acrílica diluída e em razão das propriedades de densidade, pressão, miscibilidade, viscosidade e fluidez da tinta ocorre uma “divisão espacial”. O pigmento que tem maior densidade tende a ocupar o lugar do menos denso criando trabalhos dirigidos mas sem perder o romance presente no caos das cores. Esse trabalho permite a formação de imagens alusivas ao macro e ao microcosmo. Novas dimensões vão sendo descobertas à medida que o trabalho avança; a síntese chega junto com a “simplicidade” de execução de formas cada vez mais “complexas”.

A pintura nasce de um ponto que se propaga como uma onda em um lago sereno dando a sensação de expansão permanente até o infinito.

 

Renato Sant’ Ana

agosto de 2014